O quadro partidário brasileiro que sai das eleições de 2014

Nesse último domingo, os brasileiros elegeram o seu sétimo presidente da República desde a redemocratização em 1989. Como podemos ver nas informações do gráfico abaixo foi a disputa mais acirrada dessa quadra democrática. A candidata do PT, Dilma Rousseff, foi reeleita com 51,64% e o candidato do PSDB, Aécio Neves, obteve 48,36%. Com esse resultado o PT ampliou ainda mais o seu número de vitórias pela Presidência do Brasil, constituindo-se o único partido brasileiro a ficar no poder por quatro mandatos consecutivos. E a Dilma Rousseff além de ser a primeira mulher presidente  do Brasil, foi também a primeira a conquistar a reeleição. Para isso foi fundamental sua performance ao longo da campanha ao defender o governo e as principais conquistas sociais já alcançadas. Acrescente-se ainda o apoio de amplo arco de aliança formado pelo apoio de vários partidos, de celebridades de diversos setores e da expressiva militância petista que nessa disputa voltou a ter papel crucial nas ruas e nas redes sociais, comparável somente ao pleito de 1989.

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No que se refere a representação dos partidos na Câmara dos Deputados o primeiro aspecto digno de nota está na taxa de renovação que ficou em torno de 46,4%. Entre os 513 deputados federais eleitos, 238 são novos parlamentares e 275 foram reeleitos. De acordo com a tabela abaixo, nas listas das maiores bancadas da Câmara, os partidos que apoiam a atual presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT) e de seu vice, Michel Temer (PMDB) permanecem na liderança em número de representantes. Contudo, as siglas perderam cadeiras no legislativo federal. Enquanto o PT, maior bancada, perdeu 18, elegeu 70 deputados, ou seja, 20,45% a menos que a bancada atual, de 88 deputados. Já o PMDB, atualmente com 72 deputados, elegeu 66, cinco a menos.

Já o maior partido da oposição, o PSDB, que na atual legislatura é a quarta bancada (44 deputados), cresceu 22,73%, e será a terceira maior força em 2015, com 54 deputados. O PSB que apoiou o candidato do PSDB à presidência da República, partido de Marina Silva, pulou de 24 para 34 representantes, crescendo 41,67% e estará entre as seis maiores forças na Câmara. Os dois partidos ganharam dez deputados cada um.

Mas entre os partidos que tiveram candidato à Presidência da República, foi o PSol o que proporcionalmente mais cresceu: 66,7%. A sigla de Luciana Genro elegeu 5 deputados nessas eleições, dois a mais que os três parlamentares da atual legislatura. Sendo assim, se numericamente foi o PT a sigla que mais perdeu deputados, 18, o Pros reduziu sua bancada em 45%, percentualmente a maior queda. O partido que mais cresceu foi PRB, que pulou de 10 para 21 deputados, um crescimento de 110%.

Outro aspecto importante a salientar é que houve aumento, ainda, na quantidade de partidos com representação na Câmara. Das 32 siglas com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 28 terão representação, atualmente são 22 partidos. Seis legendas que não tinham representação na Câmara, por sua vez, passaram a ter. O PRTB, de Levy Fidelix, elegeu um parlamentar e o PSDC, de Eymael, elegeu dois. Completam a lista: PHS, PTN, PTC e PSL. Ficaram de fora da Câmara, os partidos pequenos de esquerda, PSTU, PCB e PCO (que tiveram candidatos à Presidência da República), além do PPL.

Já a bancada feminina teve um leve aumento, com o número de deputadas passando de 47 para 51. Contudo, em 2015, o percentual de mulheres ainda não chegará a 10% do total de parlamentares na Câmara dos Deputados.

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Já no Senado, que renovou 1/3 das cadeiras, o PMDB, partido do vice-presidente reeleito,  lidera essa Casa com 19 assentos.  Sendo assim, o partido mais exitoso foi o PMDB, com a eleição de cinco senadores. O segundo foi o PSDB, ao eleger quatro parlamentares. Mas ficou empatado com o PDT. PSB e DEM conseguiram eleger três senadores cada um; PT, PTB e PSD conquistaram duas cadeiras cada. PR e PP uma cadeira cada. Dessa forma, a nova composição da Casa, a partir de 2015, continuará tendo o PMDB como maior partido, com 19 senadores. A segunda maior legenda será o PT, com 13 cadeiras, seguido do PSDB com 10, PSB com sete, PDT com seis senadores, PP e DEM com cinco, PR, PSD e PTB terão três cada; PCdoB, PRB, PPS, Pros, PSC, PSol e SD terão um senador cada.

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Por último,  é importante chamar atenção para a base de apoio que a presidente Dilma Rousseff  poderá contar para governar a partir de 2015. Com esse resultado que sai  das urnas essa base seria formada por 304 deputados e 40 senadores. Parte da explicação da diminuição da base aliada está na movimentação dos apoios recebidos no primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais, quando partidos que apoiavam o governo resolveram apoiar o candidato da oposição.  A tendência, contudo, é que novos partidos entrem na base do governo Dilma, um vez que o adesismo (ou governismo), é um traço marcante no presidencialismo de coalizão que rege o sistema político brasileiro.

Acerca de Maria do Socorro Sousa Braga

Politóloga de la Universidad Federal de São Carlos. Coordinadora del Centro para el Estudio de los partidos políticos latinoamericanos (NEPPLA) y miembro del Grupo Investigación de Partidos y Sistemas de Partidos en Latinoamérica (GIPSAL).

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2 respuestas a O quadro partidário brasileiro que sai das eleições de 2014

  1. Bruno Mello Souza 30 Octubre, 2014 at 17:56 #

    Ao encontro do comentário acima, cabe ressaltar também que já se ventila no Brasil a partir de agora o que parte da imprensa está chamando de terceiro turno, ou seja, a oposição fortalecida poderá tentar, na onda do escândalo da Petrobrás, estabelecer um processo de impeachment de Dilma Rousseff. Minha impressão pessoal é de que, principalmente contando com o apoio forte dos meios de comunicação tradicionais, PSDB e cia virão mais decididos do que nunca neste propósito. E diria que, mais do que possível, isso é bastante provável.

  2. juanvi 28 Octubre, 2014 at 23:04 #

    Con ese panorama, la labor del gobierno de Dilma Rousseff va a ser muy complicada. Por una parte la sociedad le exige más y mayores cambios, y por otra parte se encuentra con un parlamento conservador y fragmentado, con menos poder para su coalición. Se abren cuatro años de mucha incertidumbre en Brasil.

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